Este texto faz parte de um artigo entregue como conclusão do curso de teologia da PUCPR sob orientação de Pe. Jose Rafael Solano Durán. Está dividido em posts diferentes.
Este trabalho procura compreender a relacionalidade trinitária a partir da relação esponsal como pensada por Karol Wojtyła e se a reflexão sobre esta esponsalidade pode ampliar o entendimento sobre a relação trinitária, sobre a relação entre a Trindade e o ser humano e dar alguma luz sobre como o ser humano deve se relacionar.
O trabalho surge a partir da provocação feita pelo Papa
Bento XVI em sua encíclica social Caritas in Veritate: o aprofundamento
crítico e axiológico da categoria “relação”[1], que
é de extrema importância para a compreensão das realidades mais básicas do ser
humano e da própria Trindade. O Inefável não é completamente compreendido através
das categorias que a Ele se credita. Dessa forma, dizer que a Trindade – ou
mesmo que o ser humano – é relacional, não encerra o assunto. É necessário dizer
algo a mais sobre essa relação, tentar desvendar ela a partir das próprias
relações instituídas e reveladas por Deus.
Tal reflexão é importante em pelo menos três aspectos: para
a melhor compreensão da relação trinitária; para entendermos melhor a realidade
antropológica da relação planejada por Deus – a relação já realizada pela vida
em Cristo e a relação ainda não realizada que há de vir no advento escatológico
–; e, por fim, para iluminar as relações humanas, seus aspectos éticos.
Dessa forma, o propósito deste estudo é verificar se a
relação esponsal entendida por Karol Wojtyła pode ajudar a desvelar a realidade
relacional divina a que o ser humano é convidado. Para isso, o estudo se inicia
construindo uma ponte introdutória sobre estes dois conceitos. Logo depois, procura
perceber se, de fato, uma realidade humana pode ser fonte de compreensão sobre
a Revelação. Em seguida, procura-se identificar a importância da
relacionalidade para a antropologia teológica. Então, o trabalho se empenha em
reconhecer o tipo de convite que recebemos de Deus e como ele é feito. Ulteriormente,
busca-se traçar as características da esponsalidade para Karol Wojtyła. Por
fim, discute-se a possibilidade de se compreender a relacionalidade a partir
das características esponsais apresentadas.
[1] Cf. BENTO
XVI. Carta encíclica Caritas in Veritate. Roma, 2009. 52.
Disponível em: http://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate.html.
Acesso em: 13 abr. 2021.
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